Alta do combustível pressiona passagens aéreas e reposiciona fluxo turístico no Brasil

 

A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado efeitos diretos sobre o setor de turismo, com impacto imediato nos preços das passagens aéreas e mudanças no comportamento dos viajantes. No Brasil, o encarecimento do combustível de aviação já se reflete nas tarifas, enquanto destinos domésticos passam a ganhar espaço frente às viagens internacionais. Levantamento do banco J.P. Morgan aponta que os preços das passagens das principais companhias aéreas do país — Latam Airlines, Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas — subiram 31% desde o início de março. Na comparação anual, a alta é de 22%, movimento associado à disparada do preço do petróleo após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. 

Segundo analistas do banco, o reajuste reflete uma antecipação das companhias diante da elevação do custo do querosene de aviação (QAV), principal insumo do setor. O combustível representa cerca de 30% das despesas operacionais das aéreas, o que amplia a sensibilidade das tarifas às oscilações internacionais.

A pressão sobre os custos se intensificou após a Petrobras anunciar um reajuste de 55% no preço do QAV vendido às distribuidoras em abril. Apesar da adoção de mecanismos de pagamento escalonado e medidas de alívio pelo governo — como proposta de suspensão de PIS/Cofins e oferta de crédito ao setor —, o impacto sobre as tarifas é considerado inevitável no curto prazo.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do RN (Abav RN), Antônio Neto, o efeito sobre o turismo é imediato. “O impacto tende a ser direto no aumento do custo das passagens aéreas, influenciado pela alta do combustível e pela instabilidade global, o que gera uma retração momentânea na demanda, sobretudo nas viagens internacionais”, afirma.

A mudança no padrão de consumo, no entanto, abre espaço para o fortalecimento do turismo doméstico. Segundo Neto, destinos nacionais, como o Rio Grande do Norte, tendem a se beneficiar em um cenário de maior incerteza. “O turista passa a priorizar viagens mais seguras e próximas. Nesse contexto, o RN se mantém competitivo, com forte apelo de sol e mar e boa relação custo-benefício”, avalia.

A dinâmica de formação de preços no setor aéreo também contribui para a persistência da alta. Há uma defasagem estimada de cerca de 45 dias entre a variação do preço do petróleo no mercado internacional e o repasse às tarifas domésticas, além de um prazo adicional médio de 25 dias para pagamento do combustível às distribuidoras.

 

Aeroporto Aluízio Alves Avião Gol (115)

Preços das passagens aéreas subiram, em média, 33% só em março - Foto: José Aldenir/Agora RN

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