O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) é “mais uma vítima da militância do Judiciário” e voltou a acusar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de interferirem no processo eleitoral. A declaração foi feita nesta quarta-feira 22, durante agenda em Sinop (MT), onde o senador participou de evento do setor agropecuário.
Flávio
manifestou solidariedade a Zema após o envio de uma notícia-crime pelo
ministro Gilmar Mendes ao também ministro Alexandre de Moraes, pedindo a
inclusão do ex-governador no inquérito das fake news. O caso teve
origem na divulgação, por Zema, de um vídeo com teor satírico envolvendo
integrantes da Corte. Para o senador, não houve crime na publicação. “É
mais uma vítima deste ativismo judicial, que é muito lamentável”,
afirmou, acrescentando que a imunidade parlamentar historicamente foi
respeitada no país.

Na
avaliação de Flávio, a iniciativa representa uma tentativa de
influenciar o ambiente eleitoral. “Não há crime, ofensa, nada disso,
apenas embate político. Para mim está muito claro que é uma tentativa de
criar este canal, esta prevenção, em especial do Alexandre de Moraes,
para que, durante a campanha, nossos opositores busquem o atalho direto
para a Primeira Turma do STF, ao invés de acionarem o TSE”, disse.
O
senador já havia adotado discurso semelhante na semana anterior, quando
se tornou alvo de um inquérito autorizado por Moraes, a pedido da
Polícia Federal, por suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT). A investigação tem como base uma publicação feita
por Flávio na rede X (antigo Twitter), em que ele relaciona o governo
brasileiro a supostas práticas ilícitas no contexto internacional.
Ainda
durante a agenda em Mato Grosso, Flávio defendeu que o presidente do
STF, Edson Fachin, permita que a escolha do próximo presidente ocorra
sem interferência do Judiciário. “Deixe que os brasileiros escolham quem
será o próximo presidente da República, sem interferência da Primeira
Turma do seu tribunal”, afirmou.
No evento, o senador esteve
acompanhado de lideranças políticas locais, como Wellington Fagundes
(PL-MT) e José Medeiros (PL-MT), e direcionou parte de seu discurso ao
agronegócio. Entre as promessas, destacou a intenção de viabilizar a
Ferrogrão “o mais rápido possível”, projeto ferroviário voltado ao
escoamento de soja de Mato Grosso até portos no Pará. A proposta
enfrenta resistência de povos indígenas por prever traçado que cruza o
Parque Nacional do Jamanxim.
Flávio também reafirmou posições
alinhadas às bandeiras de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao
declarar que não pretende realizar novas demarcações de terras
indígenas. Segundo ele, comunidades teriam maior autonomia econômica em
um eventual governo. “Se quiserem plantar, explorar ou desenvolver
turismo em suas terras, vão poder”, disse.
Enquanto isso, Zema
intensificou críticas ao Supremo durante agenda em Brasília com
parlamentares da oposição. O ex-governador classificou a atuação da
Corte de forma dura. “O Supremo, no passado, era o bombeiro do Brasil.
Agora é o incendiário”, afirmou, ao sustentar que decisões recentes têm
agravado tensões institucionais.
Zema também apresentou
propostas de mudança no funcionamento do STF. Entre elas, sugeriu
estabelecer idade mínima de 60 anos para indicação de ministros,
restringir decisões monocráticas e facilitar a abertura de processos de
impeachment, com base em maioria simples do Senado. O ex-governador
defendeu ainda alterar o modelo de indicação, hoje concentrado no
presidente da República, propondo participação de instituições como o
Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Procuradoria-Geral da República
(PGR) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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