O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta quinta-feira 4, com o apóstolo Estevam Hernandes, responsável pela organização da Marcha para Jesus, realizada em São Paulo. A ligação foi articulada pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que participou do evento representando o presidente pelo quarto ano seguido. lula telefone Lula falou com o organizador da Marcha para Jesus por telefone e destacou que evita participar de eventos religiosos em anos eleitorais Foto: Ricardo Stuckert/PR Durante a conversa, Lula explicou os motivos de não comparecer à manifestação religiosa e fez uma referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve presente na edição deste ano da Marcha para Jesus e é apontado como possível candidato à Presidência da República em 2026. Segundo o presidente, ele evita participar de eventos religiosos em períodos eleitorais para não transmitir a impressão de que estaria utilizando a fé como instrumento político. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, afirmou ao apóstolo. Lula também lembrou, durante o diálogo, que sancionou em 2009 a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus, incluindo a celebração no calendário oficial do país.

 

De 2015 a 2025, 71 mulheres tiveram seus mandatos cassados ou tornados alvo de cassações malsucedidas, em 19 unidades federativas. De acordo com o Instituto E Se Fosse Você, que divulgou o dado hoje (3), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com o levantamento Mulheres Ameaçadas no Brasil: dos feminicídios às cassações de mandatos (2015-2025), foi a partir de 2019, início do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, que houve um boom de casos.Mais de 70 mulheres tiveram mandatos cassados em 10 anos no país - Agora RNMais de 70 mulheres tiveram mandatos cassados em 10 anos no país - Agora RN

No ano de 2015, ainda não havia sido registrada nenhuma ocorrência. Em 2026 foi inaugural nesse tipo de situação, quando a então presidenta da República, Dilma Rousseff, foi deposta, por meio de um golpe.

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Mais de 70 mulheres tiveram mandatos cassados em 10 anos no país - Foto: Alesp/Divulgação

Em 2023, em que as Casas do Congresso Nacional, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, se renovaram, o total foi 11 casos. O recorde, de 30 episódios, foi atingido no ano passado. 

Apesar desse contexto eleitoral, são as vereadoras as principais vítimas de perseguição. Sete de cada dez (73%) mulher com cargo eletivo atacada ocupam essa função. Parlamentares estaduais/distritais e federais estão no centro de um quinto (20%) dos casos. 

Sua identidade de gênero, o poder que têm em suas mãos, ao ocuparem assento em espaços onde o destino de populações inteiras é decidido, e o partido ao qual são filiadas diz bastante sobre os motivos do cerco que enfrentam. Como destaca a entidade no relatório, constata-se o que o movimento feminista denomina de backlash, que é uma reação organizada contra avanços obtidos por mulheres. 

Quase metade (40%) das mulheres eleitas para serem representantes do povo e que tiveram a legitimidade de seu trabalho posta em xeque eram do Partido dos Trabalhadores (PT) ou do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Do outro lado, os agressores pertencem, majoritariamente, a siglas do espectro conservador (70%), como o Partido Liberal (PL), União Brasil, Partido Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Outra característica inerente a eles é ser identificado como homem cisgênero, ou seja, que vê compatibilidade entre sua identidade de gênero e seu sexo biológico (78%).

“Esse dado sugere que a incidência dos ataques não se dirige apenas à condição de gênero, mas também a posicionamentos políticos e agendas de gênero assumidas publicamente”, dizem os especialistas que conduziram o estudo. 

“Essa assimetria sugere que as cassações respondem a padrões estruturados de hostilidade político-ideológica contra mulheres progressistas, frequentemente orquestradas por bancadas conservadoras. Vale destacar que o PT aparece nos dados tanto como partido de algumas vítimas quanto, em menor grau, como agente em conflitos intrapartidários internos– ou seja, casos em que disputas dentro do próprio partido levam à tentativa de cassar mandatos de correligionárias, em geral por divergências ou disputas de poder locais. Em suma, mulheres que desafiam hegemonias políticas locais – seja por posição ideológica, atuação oposicionista ou renovação geracional – têm sido alvos preferenciais desse tipo de violência institucional.”

 

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agora rn

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